quarta-feira, 17 de junho de 2009

...and I'm back in the game!!

Saíamos de São Paulo às oito da manhã. Passando por Campos do Jordão, o ônibus pegava a estrada pra Minalba, e parava quando acabava o asfalto.
Quando a colônia estava muito cheia de gente, a galera ia no caminhão do Tadeu e os ajudantes voltavam depois pra buscar as malas enquanto a resto do povo almoçava. Mas em janeiro, quando tinha menos pessoas, a gente jogava as malas na caçamba do caminhão e ia junto tudo amontoado.
O almoço geralmente era arroz integral, feijão, salada e omelete (frango era mordomia, carne uma vez só em quinze dias); o jantar era sopa e pão (o requeijão era disputadíssimo!); e no café da manhã, mingau de aveia e salada de frutas!



A rotina era acordar às sete e meia com o canto dos monitores, fazer uma roda no caramanchão e ouvir o enigma do pastor. Aí fazíamos o 'caracol', cantando, e café da manhã. Depois do café, limpar os banheiros, tirar o lixo, arrumar o quarto para a passagem do anãozinho, que dependendo de qual era podia ser bastante leniente ou bem severo. O desespero pra terminar de arrumar tudo aumentava quando ia chegando perto das nove horas.
No caramanchão, todo mundo se reunia pra cantar, ouvir uma história, descobrir quem tinha arrumado o quarto (e o veredito dos anõezinhos) e cantar mais um pouco.
O período da manhã até a hora do almoço era gasto com pequenas caminhadas, jogos e brincadeiras.
Ao meio dia e meia, o sino tocava pro almoço.
A glória de ganhar sobremesa maior conforme sua arrumação do quarto era seguido pelo horário do descanso, em que o laguinho imperava mesmo com o frio de julho.
O lanche, às três horas, sempre era melancia ou alguma outra fruta que eu não gostava; e depois das atividades manuais era uma briga imensa pra ver quem conseguia tomar banho antes da dança.
Que era a melhor parte do dia.
Quem conseguisse escapar de cair no laguinho depois da dança (quando o calor do movimento fazia a gente esquecer que eram seis horas da tarde e um frio de rachar) era pra ir pra fila do banho, mas quem chegava tarde pro jantar perdia pontos pra sua mesa e podia perder o campeonato - a mesa que ganhasse comia uma pizza bem sem graça no fim do campeonato, enquanto o resto das mesas comia uma sopa bem melhor mas muito menos estilosa. Depois do jantar tinha a reunião na igreja, com muita música de novo, outra história, a resposta do enigma da manhã e os 'méizinhos'. E a música do 'Boooooooouuuaaaaaa nnnnoooooiiiiiitiiiiiii' que dava um sono imbecil.
Foi na Colônia que eu aprendi a fazer pulseirinhas de macramê, cartões tridimensionais, malabares, tie-dye e móbiles. Foi na Colônia que eu passei a gostar de caminhar, dormir ao relento, fazer fogueira, comer pinhão, inventar gincanas e escorregar na lama.
E tudo isso acabou há cerca de seis anos, quando a Colônia foi desativada porque o sítio onde ela acontecia foi vendido. Foi nessa época que eu escrevi o seguinte, no meu outro blog:
"Sonhei com o Pastor Marcos. Meu, me deu MUITA saudades daquele tempo! E arrependimento de ter, sei lá... não nascido antes? Mas não adianta nada. Eu queria estar agora lá, estar naquele grupo de pessoas do jeito que eu sou hoje, e não a Renata de 13 anos na Colônia com aquelas pessoas.. Mas enfim. Estou me matando pra achar alguma foto de lá mas não tá rolando. E ouvi rumores na comunidade da Colônia no Orkut de que haveria um encontro de ex-colonistas, e uma colônia com as crianças da Monte Azul e sei lá mais o que... Também me deu uma saudade absurda, mas ouvir falar daquelas pessoas me faz me sentir voltando a ser o que eu era antes... e claro que acho que nem um ser de lá se lembraria de mim, nunca teria cara de pau de aparecer e falar que quero participar... Mas agora estou olhando umas fotos (finalmente achei, mesmo que não da minha época!), e me deu uma saudade absuuuurda!!! Nenhum momento triste e desconfortável importa, tudo o que me vem são as lembranças boas... E o Marcos! Nenhuma bronca, nenhuma bizarrice me ficou. Só lembro da parte divertida e professoral... rs ... e foi com essa parte que eu sonhei! Eu nem lembro muito bem do sonho, só lembro que eu estava lá, e eu conversava um monte com ele, e ele me dava conselhos... acho que sempre olhei para ele como uma espécie de mentor, como muitas crianças e jovens que foram pra Colônias e Encontros com ele... mesmo que às vezes ele tivesse umas idéias meio estranhas (pra dizer o mínimo! haha).
Só ele conseguia contar histórias na igreja daquele jeito, e só ele cantava Alces Passam com aquela voz. Nenhum outro pastor caiu no laguinho com tanta classe!
Mas sabe o mais legal de tudo? O que eu sempre gostei desda primeira Colônia, o que eu mais gostava até a última? A hora da dança. Sempre tinham as pessoas que faziam cara feia, e sentavam na escada. Mas como eu me divertia! É do que eu tenho mais saudade, sem a menor dúvida, mesmo que tenha uma puta saudade de todo o resto... E olha que engraçado. Falar palavrão lembrando da Colônia seems out of place...
E os anõezinhos que inspecionavam o quarto? O barulho dos pés nos quartos em cima do refeitório? O mingau! A música do caçador!!! Os times que se formavam no caramanchão pra cantar o refrão? Muito divertido! O caracol de manhã. Mas antes tinha a charada. E as mesas! Loucamente me divertindo nos concursos! E as pulseiras! E a dança! E o laguinho! E (quem nunca foi e não sabe do que eu tou falando, foda-se as idéias erradas... mas sim, acho que é por isso que meus joelhos não funcionam até hoje... haha) o tronquinho! Lembro até hoje de cenas com a Ebinha (desculpa Cris, mas você era a Ebinha naquela época... caralho, a Cris é outra pessoa!) e o Patrick... E a lareira na casa da cascata... E a cascata... e o anjo na casa do Zimpel,.... e a cruz, e a casa do morto, e as sete lagoas do mexicano, que foram aposentadas durante meu tempo de acampante... e os Marins, e o Baú, que foram depois da minha época de acampante - os Encontros de Jovens com a galera da Colônia, que eram insanos e divertidos (mesmo que eu me sentisse deslocada igual), em que a gente fazia caminhadas de dez dias pelo interior do fim do mundo."
E quando eu achei que tudo estava no passado, pra ser apenas uma lembrança feliz de uma juventude privilegiada...
I'm back in the game!!
Acho que não dá pra descrever a empolgação que dá pensar em voltar pra tudo isso. Mesmo fazendo quase cinco anos que eu não piso naquele lugar, ainda lembro que a dança é às cinco horas. Ainda lembro o caminho pro Morro da Cruz (que hoje em dia tem o nome chique de Mirante do Cruzeiro); ainda lembro de entrar na cerca viva e ficar coçando três dias; ainda lembro do que era ser monitora de um grupo histérico de meninas cheias de hormônios. Que bom. Acho que vai ser mais fácil voltar desse jeito.

2 opiniões externadas a respeito:

mari.portela disse...

Nunca fui pra colônia. Taí uma parte de ser waldorf que perdi, mas fiquei com muita vontade depois de ler esse texto! Você é linda, demais, de tudo, sabia?

Beijo

Cris disse...

nossa Re que saudades enoooorme.
Adorei o texto!!